segunda-feira, 9 de junho de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Deficiência múltipla e Surdocegueira:
Deficiência múltipla e
Surdocegueira:
Nós não devemos deixar
que as incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas
habilidades.
Hallahan e Kauffman, 1994.
O estudo em pauta foi construído como
requisito essencial do módulo de Deficiência Múltipla da especialização EAD do
Curso de Educação especial promovido pela UFC, objetivando trazer para
discussão, as diferenças entre Surdocegueira e Deficiência Múltipla, assim como
a utilização de recursos facilitadores e estratégias a serem utilizadas pela
dimensão sócio - pedagógica e interelacional, para a otimização da comunicação
e autonomia da pessoa com tal comprometimento.
Deficiência
múltipla:
Define o conjunto
de duas ou mais deficiências articuladas que podem ser de cunho intelectual,
físico, sensorial ou sócio emocional, “no entanto, não é o somatório dessas
alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de
desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social
e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.”
(MEC – 2006).
Surdocegueira:
É uma deficiência única.
Utiliza
algumas orientações metodológicas que os surdos e os cegos utilizam na sua
educação, mas as necessidades básicas são diferentes, principalmente no que se
refere à comunicação e orientação e mobilidade.
As pessoas com surdocegueira não são classificadas como
múltiplas deficiências pelo fato de ser
uma categoria para as terapêuticas pedagógicas e também por interagirem com as
pessoas de forma adequada.
Uma pessoa com cegueira somada a uma deficiência
intelectual, tem essa cegueira ampliada pela deficiência de intelectual. Nesse
caso, há necessidades educacionais únicas. Caso que se assemelha às necessidades
educacionais das pessoas com surdocegueira
pelo fato desta sere considerada uma categoria única de análise e plano de ação
pedagógico (AEE) único, devido as possibilidades funcionais, de linguagem,
comunicação, interação social, de aprendizagem
e funções adaptativas serem comuns
as duas.
A Surdocegueira se apresenta por meio duas gêneses:
1- CONGÊNITA A Criança nasce com esta única deficiência, podendo ter
sua causa na sífilis, toxoplasmose e rubéola. Esta última adquirida pela mãe
quando a criança está no ambiente uterino, dentre outras.
2 - ADQUIRIDA: Criança nasce sem compromisso
auditivo (ouvinte) e sem compromisso visual, (vidente), adquirindo a surdez
e/ou cegueira (surdocegueira) decorrente de fatores externos.
COMUNICAÇÃO:
Definições: Efeito
de comunicar (-se); ação de transmitir uma mensagem e, eventualmente, receber
outra mensagem como resposta; processo que envolve a transmissão e a recepção
de mensagens entre uma fonte emissora e um destinatário receptor, no qual as
informações, transmitidas por intermédio das mais diversas formas, dentre elas,
a linguagem verbal, gestual... http://pt.wiktionary.org/wiki/comunicação
É por meio da comunicação que o
humano se relaciona entre si e com o entorno, para assim suprir suas
necessidades. As
pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla carecem da COMUNCIAÇÃO
para assim poderem viver. Dessa forma, a criação e uso de estratégias e
recursos de acessibilidade para uma favorável relação social e, por conseguinte
para o suprimentos da aprendizagem e necessidades básicas, consistem em aspectos
de importância e indispensabilidade. As
pessoas com essas necessidades diferenciadas, precisam de uma atenção
especializada devido a fatores como a falta de referência de entorno (espaço,
tempo, e até o esquema corporal) que como consequência, as leva a falta de defesa,
propondo perigos, pois os principais órgãos de contato (órgão perceptivos
visuais e auditivos) lhes faltam.
Estratégias para a
aquisição da comunicação
1- Permitir que a pessoa busque
a suas necessidades da forma que lhe for mais conveniente, desde que com
respeito ao ambiente, pois só dessa forma constroi sua identidade e a
oportunidade de melhor se situar no contexto em que vive.
2- Facilitar o contato tátil, gustativo
e olfativo com os diversos estímulos ambientais,assim com promover asegurança
espacial por meio de movimento no espaço do ambiente doméstico e escolar.
3- Estar atento (a) as
tentativas de comunicação. É dessa forma que esta pessoa está tentando se
relacionar.
4- Uma agenda de
previsibilidade, tipo um mapa que oriente a rotina desta pessoa lhe dará o
referencial de tempo, espaço e o que o entorno espera dela.
5- Oferecer oportunidades do
convívio com pessoas sem esse comprometimento será útil para construir e organizar
sua identidade.
Comunicação codificada:
Sistemas
Alfabéticos:
Alfabeto
“Datilológico: As
letras do alfabeto são formadas, por meio de diferentes posições dos dedos da
mão”. É similar ao alfabeto manual dos surdos, com algumas variações para uma
melhor percepção tátil ao ser soletrado na palma da mão.
Alfabeto de escrita manual: Utilização do uso do dedo indicador da pessoa com surdocegueira como
lápis, para escrever cada letra sobre uma superfície do corpo (palma da mão) ou
sobre um material externo; também se aplica usando a mão do interlocutor para
escrever cada letra e a pessoa com surdocegueira colocando sua mão sobre a mão
de quem escreve sobre a superfície.
Uso de
máquinas Braille utilizadas pela pessoa com surdocegueira que tem conhecimento do
Sistema Braille de escrita. Outro meio de comunicação são as Placas Alfabéticas,
Sistemas não alfabéticos:
Língua sinais: Fundamenta-se na construção de sinais a partir de
diferentes posições, configuração de mãos, especialmente os que representem palavras,
números e outros códigos.
Tadoma: Percepção
pelas mãos da pessoa surdocega na posição da boca, garganta e bochecha, que são
fonoarticuladores e que produzem a fala, do interlocutor, para que as pessoas
surdocegas sintam as vibrações.
SURDOCEGUEIRA
E DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS
Recursos
.Calendários: Os
calendários são instrumentos que favorecem o desenvolvimento da noção de tempo e
que ajudam os alunos a estabelecer e compreender rotinas.
.A linguagem -multisensorial - Comunicação por meios
perceptíveis utilizando sinais digitais escolhidos pela pessoa com a
deficiência perceptiva em pauta
Abordagem
Educacional:
Vula Maria Ikonomidis -
Professora Mestre em Educação Especial, Coordenadora Pedagógica da Ahimsa Associação
Educacional para Múltipla Deficiência.
Analisando as
necessidades de uma pessoa com deficiência múltipla e as conseqüências que a
falta de comunicação pode trazer a abordagem educacional deve ter estratégias
planejadas de forma sistemática, num modelo de colaboração na qual a
comunicação seja a prioridade central.
É necessário organizar o mundo da pessoa por meio do
estabelecimento de rotinas claras e uma comunicação adequada. É preciso
desenvolver atividades de maneira multisensorial para garantir aproveitamento
de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma aprendizagem
significativa com oportunidades de generalizar para outros ambientes e pessoas
(atividade funcional).
A pessoa com deficiência múltipla necessita de um ambiente
reativo, isto é, que responda a suas iniciativas. Seu tempo de resposta deve
ser respeitado e a habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas
atividades programadas.
Referências:
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação
Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar -Fascículo 05: Surdocegueira e
Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 4 - A escola comum e o aluno com
surdocegueira. Capítulo 5 - Deslocamento em trajetos. Capítulo
6 - Pessoa com surdocegueira.
Vula Maria Ikonomidis - Professora Mestre em Educação Especial ,
Coordenadora Pedagógica da Ahimsa Associação Educacional para Múltipla
Deficiência.
domingo, 9 de março de 2014
A Educação da pessoa com surdez no contexto escolarizado
(...) esse ser não é no todo surdo, mas há uma parte
com surdez, que neurobiologicamente, o limita, mas que, em contrapartida, o
possibilita e potencializa ao desenvolvimento dos processos neuros sensorial-perceptivos.
Daí, termos certeza de que os processos perceptivos, linguísticos e cognitivos
das pessoas com surdez poderão ser estimulados e desenvolvidos, tornando-as
sujeitos capazes, produtivos e constituídos de várias linguagens, com potencialidade
para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas
também ler e escrever as línguas em seus entornos e, se desejar, também
falar. (DAMÁZIO, 2010)
A
educação da pessoa com surdez apresenta-se em um panorama histórico de exclusão
e sofrimentos e acordo com as pesquisas da estudiosa Lorena Kozlowski, a
trajetória histórica da pessoa surda na sociedade corresponde a um “pêndulo
oral versus gestual”.
DAMÁZIO (2005) comenta em seu artigo “Educação Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida
contextualização histórica”, que antes do final da idade média, o
filósofo Aristóteles afirmava que a linguagem era o fenômeno que dava ao ser, a
condição de humano e sendo assim, o desenvolvimento da inteligência estava
condicionada a presença da linguagem. Dessa forma, segundo esta afirmação, a
pessoa com surdez não era humana e de acordo com DAMAZIO (2005), “as pessoas
com surdez eram consideradas como incapazes de gerenciar seus atos”, sendo
excluídas da sociedade, e tendo os direitos a educação e outros benefícios
sociais tirados.
A Idade
Moderna muda esse cenário por meio do monge beneditino Pedro Ponce de Leon
(1510- 1584) que ensinava pessoas com surdez, filhos de famílias abastadas
economicamente, a falar, ler, escrever e rezar. Gerolamo Cardamo deu nesse
momento histórico, o impulso inicial às pessoas com surdez. Ele afirmava que
essas pessoas tinham capacidades de aprender a ler e escrever; e a surdez não
alterava a inteligência.
No texto: A proposta bilíngüe
de educação do surdo, Lorena Kozlowski amplia olhares, tecendo propostas de
inclusão da pessoa com surdez nas diversas ambiências escolares e demais
contextos de socialização informando que a proposta do bilinguismo “surgiu no
final da década de 70” .
Ainda conforme
pesquisas dessa estudiosa no texto em estudo:
A Proposta Bilíngue não
privilegia um língua, mas quer dar direito e condições ao individuo surdo de
poder utilizar duas línguas; portanto, não se trata de negação, mas de
respeito; o individuo escolherá a língua que irá utilizar em cada situação
lingüística em que se encontrar.
Assim, o bilinguismo não dá preferência a uma
língua isolada, mas promove a liberdade à pessoa em pauta da utilização de duas
línguas, e a escolha de qual utilizar em determinado contexto.
KOSLOWSKI
(1998) afirma que “esta situação bilíngue ocorre pela
presença da língua da comunidade ouvinte: a língua oral/escrita, e a língua da
comunidade surda: a língua de sinais”.
Outras pesquisas no campo da
educação da pessoa com surdez, pautada por (Drasgow,1993 apud Kozlowski), informam que os estudos atuais “mostram a
tendência para a educação bilíngue/bicultural da criança surda, na qual a
língua de sinais é considerada a primeira língua da criança surda e a língua
oral a segunda língua”.
A pessoa com surdez, no caso do
bilinguismo passa da deficiência, como foi vista durante anos, com um
diagnóstico de doença, para a diferença. Dessa forma, suas habilidades são
potencializadas e desenvolvidas com reconhecimento e respeito aos direitos de
expressão lingüística. Essas
pessoas deparam com diversos obstáculos para serem incluídas na educação
escolar, devido a essa limitação sensorial de cunho auditivo. Diante desse
desenho social brasileiro, as escolas não estão estruturadas para receber as
diferenças e DAMÁZIO (2010) afirma que “Muitos alunos com surdez podem ser
prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo,
sócio-afetivo, lingüístico e político-cultural e ter perdas consideráveis no
desenvolvimento da aprendizagem, ficando aquém dos demais colegas de escola”.
Ainda nas palavras de DAMAZIO (2005) em seu artigo Educação Escolar Inclusiva
para Pessoas com Surdez na Escola Comum Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos:
apesar de estudos e pesquisas desenvolvidas no mundo, as escolas “não
contemplam o fazer educativo escolar na verdadeira dimensão inclusiva”. Neste
ponto é de suma importância que se faça uma reflexão acerca da dificuldade de
inclusão da pessoa surda na sociedade. Ora se observarmos a configuração da
sociedade ocidental, veremos que há um binômio de desigualdades sociais, gerando
por sua vez, relações de poder e nesse caso, de acordo com esse padrão social,
as relações entre as pessoas surdas e as pessoas ouvintes são assimétricas,
estando os privilégios e direitos sociais reservados aos através ouvintes.
A
educação tem o poder de mudar esse cenário e as práticas sociais excludentes por
meio de diversos recursos informativos que enfatizam os direitos, prerrogativas, deveres,
possibilidades, potencialidades e liberdade em prol do acesso e permanência
social das pessoas com surdez.
Referências
bibliográficas:
KOSLOWSKI, L. A Proposta bilíngüe de educação do surdo. Revista Espaço.
Rio de Janeiro: INES, nº10, p.47-53, dezembro, 1998. A
Proposta bilíngüe de educação do surdo. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES,
nº10, p.47-53, dezembro, 1998. A Proposta
bilíngüe de educação do surdo. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES, nº10,
p.47-53, dezembro, 1998.
DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação
Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida contextualização histórica. 2005.
DAMÁZIO,
Mirlene Ferreira Macedo. Educação
escolar inclusiva para pessoas com surdez na escola comum - questões
polêmicas e avanços contemporâneos/ ensaios pedagógicos: construindo escolas
inclusivas, p 108 a
120. Brasília, 2005.
DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento
Educacional Especializado do aluno com surdez. Capítulo 1 e 3. São Paulo:
Moderna, 2010.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
A
Educação da pessoa com surdez no contexto escolarizado
A
educação da pessoa com surdez apresenta-se em um panorama histórico de exclusão
e sofrimentos. De acordo com as pesquisas da estudiosa Lorena Kozlowski, a
trajetória histórica da pessoa surda na sociedade corresponde a um “pêndulo
oral versus gestual”.
Damázio comenta em seu
artigo “Educação Escolar da Pessoa com Surdez: uma
rápida contextualização histórica”, que antes do final da idade média, o
filósofo Aristóteles afirmava que a linguagem era o fenômeno que dava ao ser a
condição de humano e sendo assim, o desenvolvimento da inteligência estava
condicionada a presença da linguagem. Dessa forma, segundo esta afirmação, a
pessoa com surdez não era humana e de acordo com DAMAZIO, “as pessoas com
surdez eram consideradas como incapazes de gerenciar seus atos”, Sendo excluída
da sociedade, e tirados, os direitos a educação e outros benefícios sociais.
A Idade Moderna muda essa realidade
por meio do monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510- 1584) que ensinava
pessoas com surdez, filhos de famílias abastadas economicamente, a falar, ler,
escrever e rezar. Gerolamo Cardamo deu nesse momento histórico, o impulso
inicial às pessoas com surdez. Ele afirmava que essas pessoas tinham
capacidades de aprender a ler e escrever; e a surdez não aliterava a inteligência
dessas pessoas.
No texto: A proposta bilíngüe de educação do surdo, Lorena Kozlowski
amplia olhares, tecendo propostas de inclusão da pessoa com surdez nas diversas
ambiências escolares e demais contextos de socialização, e como informa essa
estudiosa à proposta do bilinguismo “surgiu no final da década de 70.” Ainda
conforme pesquisas dessa estudiosa no texto em estudo:
A Proposta Bilíngue não privilegia
um língua, mas quer dar direito e condições ao individuo surdo de poder
utilizar duas línguas; portanto, não se trata de negação, mas de respeito; o
individuo escolherá a língua que irá utilizar em cada situação lingüística em
que se encontrar.
Assim, o bilinguismo não dá preferência a uma
língua isolada, mas promove a liberdade à pessoa em pauta da utilização de duas
línguas, e a escolha de qual utilizar em determinado contexto. Kozlowsk afirma
que “esta situação bilíngue ocorre pela presença da língua da comunidade
ouvinte: a língua oral/escrita, e a língua da comunidade surda: a língua de
sinais”.
Outras pesquisas no campo da
educação da pessoa com surdez, pautada por (Drasgow,1993 apud Kozlowski), informam que os estudos atuais “mostram a
tendência para a educação bilíngue/bicultural da criança surda, na qual a
língua de sinais é considerada a primeira língua da criança surda e a língua
oral a segunda língua”.
A pessoa com surdez, no caso do
bilinguismo passa da deficiência, como foi vista durante anos, com um
diagnóstico de doença, para a diferença. Dessa forma, suas habilidades são
potencializadas e desenvolvidas com reconhecimento e respeito aos direitos de
expressão lingüística. Essas pessoas
deparam com diversos obstáculos para serem incluídas na educação
escolar, devido a essa limitação sensorial de cunho auditivo. Diante desse
desenho social brasileiro, as escolas não estão estruturadas para receber as
diferenças e DAMÁZIO afirma que “Muitos alunos com surdez podem ser
prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo,
sócio-afetivo, lingüístico e político-cultural e ter perdas consideráveis no
desenvolvimento da aprendizagem, ficando aquém dos demais colegas de escola”.
Ainda nas palavras de DAMAZIO em seu artigo Educação Escolar Inclusiva para
Pessoas com Surdez na Escola Comum Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos:
apesar de estudos e pesquisas desenvolvidas no mundo, as escolas “não
contemplam o fazer educativo escolar na verdadeira dimensão inclusiva”. Neste
ponto é de suma importância que se faça uma reflexão acerca da dificuldade de
inclusão da pessoa surda na sociedade. Ora se observarmos a configuração da
sociedade ocidental, veremos que há um binômio de desigualdades sociais, gerando
por sua vez, relações de poder e nesse caso, de acordo com esse padrão social,
as relações entre as pessoas surdas e as pessoas ouvintes são assimétricas,
estando os privilégios e direitos sociais reservados aos ouvintes.
A educação pode mudar essa realidade por meio
de diversos recursos, informando a essas pessoas, acerca dos seus direitos,
prerrogativas e liberdade em prol do acesso e permanência social.
A Educação da Pessoa com Surdez no contexto escolarizado
A Educação da pessoa com
surdez no contexto escolarizado
A educação da pessoa com
surdez apresenta-se em um panorama histórico de exclusão e sofrimentos. De
acordo com as pesquisas da estudiosa Lorena Kozlowski, a trajetória histórica
da pessoa surda na sciedade corresponde a um “pêndulo oral versus gestual”.
Damázio comenta em seu artigo “Educação Escolar da Pessoa com Surdez: uma rápida
contextualização histórica”, que antes do final da idade média, o
filósofo Aristóteles afirmava que a linguagem era o fenômeno que dava ao ser a
condição de humano e sendo assim, o desenvolvimento da inteligência estava
condicionada a presença da linguagem. Dessa forma, segundo esta afirmação, a
pessoa com surdez não era humana e de acordo com DAMAZIO, “as pessoas com
surdez eram consideradas como incapazes de gerenciar seus atos”, Sendo excluída
da sociedade, e tirados, os direitos a educação e outros benefícios sociais.
A Idade Moderna muda
essa realidade por meio do monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510- 1584)
que ensinava pessoas com surdez, filhos de famílias abastadas economicamente, a
falar, ler, escrever e rezar. Gerolamo Cardamo deu nesse momento histórico, o
impulso inicial às pessoas com surdez. Ele afirmava que essas pessoas tinham
capacidades de aprender a ler e escrever; e a surdez não aliterava a inteligência
dessas pessoas.
No texto: A proposta bilíngüe de educação do surdo, Lorena Kozlowski
amplia olhares, tecendo propostas de inclusão da pessoa com surdez nas diversas
ambiências escolares e demais contextos de socialização, e como informa essa
estudiosa à proposta do bilinguismo “surgiu no final da década de 70.” Ainda
conforme pesquisas dessa estudiosa no texto em estudo:
A Proposta Bilíngue não privilegia
um língua, mas quer dar direito e condições ao individuo surdo de poder
utilizar duas línguas; portanto, não se trata de negação, mas de respeito; o
individuo escolherá a língua que irá utilizar em cada situação lingüística em
que se encontrar.
Assim, o bilinguismo não dá preferência a uma
língua isolada, mas promove a liberdade à pessoa em pauta da utilização de duas
línguas, e a escolha de qual utilizar em determinado contexto. Kozlowsk afirma
que “esta situação bilíngue ocorre pela presença da língua da comunidade
ouvinte: a língua oral/escrita, e a língua da comunidade surda: a língua de
sinais”.
Outras pesquisas no campo da
educação da pessoa com surdez, pautada por (Drasgow,1993 apud Kozlowski), informam que os estudos atuais “mostram a tendência
para a educação bilíngue/bicultural da criança surda, na qual a língua de
sinais é considerada a primeira língua da criança surda e a língua oral a
segunda língua”.
A pessoa com surdez, no caso do
bilinguismo passa da deficiência, como foi vista durante anos, com um
diagnóstico de doença, para a diferença. Dessa forma, suas habilidades são
potencializadas e desenvolvidas com reconhecimento e respeito aos direitos de
expressão lingüística. Essas pessoas deparam com diversos obstáculos para serem
incluídas na educação escolar, devido a essa limitação sensorial de
cunho auditivo. Diante desse desenho social brasileiro, as escolas não estão
estruturadas para receber as diferenças e DAMÁZIO afirma que “Muitos alunos com
surdez podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu
potencial cognitivo, sócio-afetivo, lingüístico e político-cultural e ter
perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem, ficando aquém dos
demais colegas de escola”. Ainda nas palavras de DAMAZIO em seu artigo Educação
Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez na Escola Comum Questões Polêmicas e
Avanços Contemporâneos: apesar de estudos e pesquisas desenvolvidas no mundo,
as escolas “não contemplam o fazer educativo escolar na verdadeira dimensão
inclusiva”. Neste ponto é de suma importância que se faça uma reflexão acerca
da dificuldade de inclusão da pessoa surda na sociedade. Ora se observarmos a
configuração da sociedade ocidental, veremos que há um binômio de desigualdades
sociais, gerando por sua vez, relações de poder e nesse caso, de acordo com
esse padrão social, as relações entre as pessoas surdas e as pessoas ouvintes
são assimétricas, estando os privilégios e direitos sociais reservados aos
ouvintes.
A educação pode mudar essa realidade
por meio de diversos recursos, informando a essas pessoas, acerca dos seus
direitos, prerrogativas e liberdade em prol do acesso e permanência social.
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